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A Dança e o Sexo


As vezes pensamos que a vida poderia nos dar uma segunda chance não? Por mais que tivessemos vivido, temos dentro de nós um sonho a sonhar, um desejo a se realizar. Conscientemente sabemos que isso é complicado, mas todos nos pegamos um dia pensando: Ah, se eu tivesse uma segunda chance de viver o desconhecido, de ter uma vida mais atrevida, diferente, nova!  Enfim.


... A vida segue e um dia fui a um casamento. Estava ligeiramente desanimada, sem vontade de absolutamente nada, mas tinha que cumprir uma obrigação social.

Fui despretensiosamente vestida.
Lembro ainda hoje, que morri de calor. 
Não fui ao cabeleireiro, eu mesma me arrumei, me maquiei de maneira suave e pronto. 
Meu vestido era um Moschino, não podia ser mais clássico.
Mamãe e outras pessoas da minnha família estavam comigo. 

Por muitos ocasiões acreditei que não mais teria vida sexual.
Não fazia amor há anos, e não sentia mais vontade de ter um homem. Sublimei.

Há tempos não sentia o gosto de um beijo molhado. 

Ninguém acreditava em mim. Quando o assunto na roda de amigos era sexo, diziam: "você tem a cara de que está sempre em dia".   Todos pensavam que  minha vida sexual, era ativa.  Que pecado! 
Os médicos e minha mãe sabiam que não era verdade.  

A festa começa, os noivos entram no salão, brindamos, a comida é servida, a música anima a galera e começa a alegria da noite que marca aquele momento. A música alta, a dança rola solta quando vem à nossa mesa um lindo homem: Magro, alto, de sorriso largo  se senta ao meu lado. Brincando faz um charminho, se apresenta, pede um whisky... Interessante, conversa um tempo conosco, demos boas risadas.  Logo mais se levanta pega nas minhas mãoe e vamos dançar.

Me senti insegura, olhei surpresa para minha mãe como se pedisse sua aprovação, mas não tive tempo de  pensar. Me senti envolvida em braços firmes, e logo nos  primeiros passos nosso corpo era feito um para o outro.

Não erramos um só passo e a cada volta dançávamos mais e melhor. 
Nos olhávamos surpresos, e todos os ritmos eram nossos conhecidos, parceiros, perfeitos!
Juntamos nosso corpo e parecíamos um só.
Todos olhavam... Sorriam, aplaudiam e fomos nos envolvendo num só passo.

O cheiro dos nossos perfume se confundia numa química divina, era delicioso!

Minha mãe ficou feliz em me ver rodopiando no salão. Não paramos de dançar  e nos esquecemos de todos à nossa volta. Ela veio até nós, se despediu e foi embora. Não saímos mais da pista de dança e dancei como há anos não dançava. Parecia um sonho, divino!  Senti uma alegria incrível e não queria que aquela noite acabasse nunca mais para nós dois.

Ele sorria e me abraçava, me girava, brincávamos, ríamos, e nosso rosto roçava um no outro até que nossas bocas se encontraram e mesmo na frente de todos, nos beijamos esquecendo que estávamos entre amigos que nos conheciam e sabiam das nossas vidas.

Todos foram cúmplices da nossa dança. Ninguém disse absolutamente nada.

As cinco da manhã saímos da festa e fomos para o hotel que ele estava hospedado. Sem dizer uma só palavra, sem combinar nada, fomos de mãos dadas para a cama.

E como continuação daquela dança que tivemos, -  desta vez nus, ainda  suados dançamos no ritmo do sexo. Fizemos amor por muito tempo. Nos beijamos muito, gozamos tudo e dormimos.

Acordamos tarde. Nos encontramos de mãos dadas e pernas entrelaçadas. Tomamos banho. Fizemos amor mais uma vez. Nos despedimos num abraço com encaixe perfeito...

Ele morava na Alemanha e nunca mais nos vimos. Não poderíamosmos nos ver...

Saudade e cumplicidade de uma festa de casamento onde eu fui muito feliz.

Comentários

  1. Conceição, obrigada por suas palavras, me senti honrada, e de certa forma, orgulhosa com elas. Faz muito tempo que busco meu crescimento pessoal, espiritual, humano e profissional. Claro que não alcançamos a perfeição e me faz muito feliz saber que tenho muito que aprender, conhecer, descobrir...
    Esteja a vontade para me fazer quantas visitas desejar, escrever quantas palavras sentir vontade.
    Gostei muito do seu texto, e sei o que é ter uma grande paixão, um grande amor, pois vivo intensamente esses sentimentos, junto com tantos outros que vêm em seguida ao conhecimento mútuo.
    Um grande abraço.
    Flavina Maria

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  2. Olá!
    Muito obrigada por sua visita e palavras.
    Gostei de ler sua liberdade no texto. Estou lendo uma feminista e ando categorizando demais.
    Apareça mais, será sempre muito bem-vinda!
    Felicidades

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  3. Todo momento vivido com cumplicidade e tesão, nos trazem experimentações maravilhosas.
    Se adicionarmos admiração então, o quadro fica completo.

    Concordo com você. Quando estamos mais maduras a segurança nos norteia e coisas que pensávamos nunca fazer, acontecem de forma tão natural, que o arriscar perde aquela força que se alia ao medo.

    Confesso que já voei mudando rotas planejadas e devo dizer que o novo caminho me acrescentou como mulher.

    Se encontramos o parceiro certo, o vôo adquire uma visão do infinito nunca antes imaginado por nós.

    Felizes das mulheres que vivem intensamentes seus momentos.
    Ficamos mais completas, mais seguras, mais fêmeas.

    Sorrimos com olhar e acariciamos o corpo com nossos desejos saciados voltando a caminhar saltitantes como meninas...rs

    (*Elizabeth*)

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  4. opa!
    Acabei de ver seu cometario la no meu blog e fiquei feliz demais com a sua visita!tomara q se repitam!!
    E sobre o mirena...bom,eu coloquei o link la no blog p vc dar uma xeretada por la,ta?Bem,agora eu vou dar uma olhadinha aqui pelo seu blog,ta?Hehehe.

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  5. Olá querida!

    Ai ai que noite!!!qdo a dança termina na cama,alias qdo a dança continua na cama,é simplesmente magico!Noite feliz,eterna!
    Fiquei aqui com agua na boca...rsrss

    Depois,qdo der, passe lá em casa que tem presentinho pra vc,ok?!

    beijão.

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  6. Menina, vc causou meu coração! Linda, obrigada mil vezes, gracinha de pessoa. BJus mil, e boa semana, CON

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  7. Menina, queria eu estar nesta dança...

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  8. Conceição,

    Adorei seu texto.

    Me emocionou muito, alegrou meu sábado até aqui sem graça. Me deixou até mesmo... fico sem graça... excitado. Desculpe a franqueza.

    Obrigado por compartilhar com a gente (é real?)

    Encontrei seu texto por acaso - estava checando se uma de minhas páginas na web era "descobrivel" via google. Não é. Mas em compensação, achei a sua.

    Procurei pelas palavras CONVIDA, MULHER MADURA, em busca da minha página - veja, acho que vc vai gostar do poema que fiz inspirado em Viviane Mosé:
    http://www.geocities.com/rubin_diehl/po/vivi.html

    Fiquei com inveja (no bom sentido) do seu parceiro de dança, rsrsrs

    Acho que todos - mesmo nós homens (bem, alguns...) - com momentos felizes como esses, mesmo que fugazes. A vida em comum, 3 décadas, sufoca tudo. Até mesmo alguém que tenta e tenta como eu recuperar o romantismo da relação. Mas é duro... tanta coisa atrapalha, fica dificil.

    Beijo
    Rubin, do Rio

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. Poema de Rubin Pedro que me visitou. Vc pode ver seu comentário logo acima de seu poema aqui, e ouvir a voz de Abujanra narrando o belíssimo poema
    que
    deixo escrito aqui...
    "RECEITA PARA LAVAR PALAVRA SUJA"
    Mergulhar a palavra suja em água sanitária,
    depois de dois dias de molho quarar ao sol do meio dia.

    Algumas palavras quando alvejadas ao sol
    adquirem consistência de certeza,
    por exemplo a palavra vida.

    Existem outras, a palavra amor é uma delas,
    que são muito encardidas e desgastadas pelo uso,
    o que recomenda esfregar e bater insistentemente na pedra,
    depois enxagüar em água corrente.

    São poucas as que ainda permanecem sujas
    depois de submetidas a esses cuidados,
    mas existem aquelas.
    Dizem que limão e sal tira manchas difíceis, mas nada.

    Todas as tentativas de lavar a piedade foram sempre em vão.

    Mas nunca vi palavra tão suja como perda.
    Perda e morte, na medida em que são alvejadas
    soltam um líquido corrosivo
    - que atende pelo nome de amargura -
    capaz de esvaziar o vigor da língua.
    Nesse caso, o aconselhado é mantê-las sempre de molho
    em um amaciante de boa qualidade.

    Agora, se o que você quer
    é somente aliviar as palavras do uso diário,
    pode usar simplesmente sabão em pó e máquina de lavar.
    O perigo aqui é misturar palavras que mancham
    no contato umas com as outras.

    A culpa, por exemplo, mancha tudo que encontra
    e deve ser sempre clareada sozinha.

    Uma mistura pouco aconselhada é amizade e desejo,
    já que desejo, sendo uma palavra intensa quase agressiva,
    pode, o que não é inevitável,
    esgarçar a força delicada da palavra amizade.

    Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
    Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras
    sob o risco de perderem o sentido.

    A sujerinha cotidiana quando não é excessiva
    produz uma oleosidade que conserva a cor
    e a intensidade dos sons.

    Muito valioso na arte da lavar palavras
    é saber reconhecer uma palavra limpa.

    Para isso, conviva com a palavra durante alguns dias,
    deixe que se misture em seus gestos,
    que passeie pelas expressões dos seus sentidos.
    À noite, permita que se deite
    não ao seu lado, mas sobre seu corpo.
    Enquanto você dorme,
    a palavra, plantada em sua carne,
    prolifera em toda sua possibilidade.
    Se puder suportar a convivência
    até não mais perceber a presença dela,
    então você tem uma palavra limpa.
    Uma palavra limpa é uma palavra possível...

    ResponderExcluir
  11. IH... retificação urgente:
    O meu poema é aquele pequenininho, modesto, que está ESCRITO na minha pagina do Geocities.
    Esse lindão, narrado pelo Abujamra, para o qual eu coloco link no rodapé daquela página, NÃO É MEU... é da maravilhosa poeta Viviane Mosé.
    O meu foi só uma homenagem a ela.
    Vou até checar o texto e o link que coloquei, pra tirar qualquer dúvida da autoria daquele lido pelo Abujamra.
    Por favor, corrija a informação acima, urgente, se vc puder, não quero passar por usurpador de poemas alheios.
    Muito menos da Viviane.
    Seu blog é muito lindo.
    Beijos.

    ResponderExcluir
  12. Rubin, querido, fique tranquilo, o equívoco sobre o poema, foi meu!

    Tá tudo certo, agora tirei o que havia escrito.

    Adorei seu comentário franco e gentil. Confesso a vc que não é a primeira pessoa que diz ficar excitado ao ler um desses textos aqui dentro do erótico. Isso para mim, é muito bom! Fico demais feliz! Afinal, escrevemos para os outros.

    Vou tentar navegar no seu espaço e ver como funciona tudo aquilo, mas te convido, venha pra cá, é muito simples...

    Um beijo grande, CON

    ResponderExcluir
  13. Conceição,
    O que significa "vir pra cá" - parecea propaganda da Caixa... "vem pro blog vc também!" LOL
    Vc quer dizer, participar comentando, como faço agora, ou vc sugere que eu tenha meu próprio Blog?
    Já administro minha página no Flickr e 2 grupos no Yahoo, de colegas da faculdade e do ginásio - lembra qd Segundo Grau ainda tinha esse nome? Coisas de DNA.
    Navegar no Flickr é mt fácil. Basta ir clicando sobre as fotos. Atenção: o click sobre "Favorites" te leva para fotos de OUTRAS pessoas, as quais eu aprecio. Também é uma boa navegação... tão boa q a gente esquece do tempo. Boa sorte.
    Beijão,
    Rubin
    mailto:rpdiehl@hotmail.com

    ResponderExcluir

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