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Jornalista David Menezes fala do livro de Bebazir Bhutto



Benazir Bhutto Reconciliação: Islamismo, Democracia e o
Ocidente.
Editora Agir ( Ediouro). 316 páginas.

Por David Menezes




Poucas horas antes de ser brutalmente assassinada, a líder
política do Paquistão, duas vezes primeira-ministra, Benazir
Bhutto, terminou este livro.


O livro, escrito em um curto período de tempo, é ao mesmo
tempo uma biografia não só de Benazir mas também do seu pai,
Zulfikar Ali Bhutto, também líder político do país e executado em
1979 pelo general Zia, ditador de plantão na época; mas
é principalmente um testamento político pessoal onde Benazir
Bhutto lança propostas de reconciliação e desenvolvimento em seu
país e em todo o mundo islâmico.


Ela fala, com rigor de detalhes, da sua trágica volta do exílio
em outubro de 2007, onde 179 pessoas morreram e centenas
ficaram feridas em Karachi,

vítimas de bombas colocadas na estrada por onde Benazir e comitiva passavam sob aplausos

de
partidários

ao longo do caminho até a sua residência.


Com uma linguagem franca,

esperançosa e até, dirão muitos,

poética,


Benazir relata a história do nascimento do Paquistão como nação,

as escaramuças militares com a Índia,

o perigo de seu país virar local de treinamento,

formação e convocação de pessoas desesperançosas com a falta de futuro,

( o que já acontece de certa forma...),


feita pelo radicais terroristas

que usam erronêamente, e
Benazir deixa isso bem claro, o Islã, e o Alcorão, como desculpa
para matar, mutilar e humilhar seus supostos inimigos no Ocidente
e mesmo dentro do próprio mundo islâmico.


No livro, Benazir trata também do provável envolvimento do
general Pervez Musharraf

( envolvimento este cada vez mais claro...)


presidente do país até pouco tempo, com os grupos terroristas que agem no Afeganistão

a partir de bases dentro do Paquistão.


Sua trajetória política é bem dissecada nas mais de 300
páginas do livro. Assim como as suas propostas de desenvolver o
Paquistão, copiando inclusive modelos de desenvolvimento do
Canadá, Noruega e Alasca, onde créditos aos mais carentes são
facilitados.


Um aspecto bem interessante do livro é a análise que Benazir
Bhutto faz do nascimento dos países muçulmanos, formação,
história e influência do Ocidente.


No livro Benazir mostra que o Ocidente, particularmente os
Estados Unidos, têm parcela de culpa na situação de
intranquilidade que não só o Paquistão enfrenta como a maioria dos
países muçulmanos,

incluindo aí as repúblicas islâmicas da ex- União Soviética,

agora independentes. Essa culpa fica bem clara
quando Benazir cita que para combater o comunismo,
particularmente a influência soviética na região, os Eua na maioria
das vezes apoiaram com dinheiro e armas os ditadores que
sufocavam os seus povos, só para ter a ajuda deles no combate ao
comunismo.

Ao mesmo tempo ela afirma que o Ocidente pode ajudar os
países muçulmanos a se desenvolverem, oferecendo condições
para que os jovens, principalmente, encontrem uma profissão,
evitando com isso que eles venham a engrossar as fileiras do
terrorismo e do fanatismo. Seria uma forma mais efetiva de
combate ao terror. Uma visão bastante fraternal e conciliatória.


Em várias passagens do livro Benazir cita frases do Alcorão,
onde a democracia, embora não tenha este nome escrito nele, é
estimulada com a participação de todos nos interesses da
comunidade. Assim acontece também com o direito das mulheres
em estudar e participar das decisões com os mesmos direitos dos
homens, ao contrário do que dizem os radicais.


Benazir Bhutto encerrou este livro na manhã em que foi

assassinada


na cidade de Rawalpindi,

no dia 27 de Dezembro de
2007, após um comício.

Ela terminou seu testamento político com a palavra,
reconciliação,

tema amplamente abordado em todos os capítulos do
livro.


Se essa tão sonhada reconciliação ocorrerá algum dia, não
sabemos ao certo,

mas que Benazir

dedicou

seus

últimos

dias

com
mais perseverança em torno deste ideal,

não há dúvidas.

O que fica bem claro é que Benazir Bhutto sabia dos riscos
que corria, risco de ser morta, principalmente, ao retornar ao
Paquistão. Se ela o fez conscientemente, com a intenção de mudar
a História do país, ou seguindo uma tendência do incosciente em se
tornar uma mártir para a causa que defendia, só ela mesma poderia
responder.

Comentários

  1. ....Olá Con!

    Grato por divulgar a revista Litteris aqui no seu blog E também divulgar o meu texto. Benazir Bhutto é aquele ser humano que fez e faz o diferencial, que muda e sempre luta p/ mudar aquilo que está errado, inclusive muitas vezes sacrificando a própria vida.

    Quando pesquisei a vida de Benazir passei a admirá-la muito.

    Agradeço você pelo carinho, força e amizade.

    Beijos do Barbudo!

    ResponderExcluir
  2. bem rico teu blog com informações variadas e culturais. se quiseres dar uma passada no meu, ficaria muito feliz: www.poesiaimoral.zip.net

    ResponderExcluir

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