terça-feira, 27 de setembro de 2011

Viajar



Miami continua lindíssima, mas não tenho com a cidade a mesma relação que tenho com Orlando.


O difícil é voltar para o Brasil. Ao sair do avião, fujo do Dutyfree que mais parece um mercado de peixe, pequeno, bagunçado, horrível e com pessoas aos berros comprando tudo no desespero. CREDO!


Esperei as malas por alguns bons minutos e observei que só temos um banheiro a nosso dispor. Imagina cinco aviões chegando ao mesmo tempo... a fila enorme! Eita Brasil. Nessa hora cai a ficha de que chegamos no país da falta de INFRA.
podemos sonhar

Queremos chegar à casa depois de um vôo longo. Vamos para o carro e enfrentamos a belíssima e cheirosa Marginal, - suja e podre, sem canteiro, sem trato algum e cheia de merda com a água opaca e fedida... Sem contar com a falta de sinalização. Até quando?


O avião aterrissa e ainda dentro dele faço minha prece de agradecimento pela viagem, e imediatamente começo amolar Jesus e meu Anjo da Guarda pedindo proteção, pois só rezando mesmo, para vivermos em Sampa. Que ELES me blindem!

Naquela terra, tudo é festa, temos direito a fantasia

Andei por lá descansada e desligada de assaltos, ninguém está preocupado com o que você tem, que carro tem, que jóias tem... que roupa usa... Andamos com o vidro do carro aberto, nem fechamos a garagem de casa, nem trancamos a porta da entrada principal, tudo é livre. Em Orlando, se você for assaltado dentro de sua casa e matar o ladrão, nada te acontecerá, e como prêmio, sim prêmio! Você ainda é condecorado pelo governo.

Hunters Creek Elementary School

Estive aí, nesta escola pública. É uma belezinha. Nem colégio particular é assim aqui no Brasil. Na sala de aula de uma criança de sete anos, (foi a que visitei) há banheiro dentro da classe, pia para lavar as mãos, computador, iluminação, ar condicionado, classe enfeitada, alegrinha, lindíssima e poucas crianças dentro dela para melhor aprender. Desde a entrada, há sempre uma gracinha e um carinho para eles. Você percebe que tudo é dirigido para as crianças. Confesso que senti uma ponta de inveja e tristeza ao mesmo tempo, pois imediatamente passou pela minha cabeça que seria possível aqui, algo muito semelhante se houvesse no governo - gente honesta, interessada nos brasileiros e na nossa Nação.


olha a limpeza da Disney World

As casas dos condomínios que não tem muro, e nem tampouco há a necessidade de se identificar para entrar dentro dele, é uma tranqüilidade. Claro que tem regras a serem cumpridas como por exemplo, uma vez por semana, cortar a grama de sua casa. E assim, tudo fica lindo em volta de todos. Caso contrário... MULTA.

Os cachorros não podem passar a noite do lado de fora da casa. Quem quer cachorro, que cuide deles dia e noite - dentro dela. Não podem ficar sozinhos latindo o dia todo.

O trabalho de um carteiro é importante, pois ele leva a notícia, a cobrança a encomenda
O correio nos EUA é sério demais. Por isso, ele ganha bem. Trabalha no verão, de tê
nis e bermuda, tem seu carro equipado para o trabalho, conhece a vizinhança, porém se um dia ele pisar na bola como dirigir bêbado, mesmo fora de serviço, ele perde o trabalho, o direito de receber a aposentadoria por esse serviço e como todo caso como esse, vai constar na carteira de motorista que ele um dia dirigiu bêbado. A carteira de motorista nos EUA é o documento mais importante.

Fiquei apaixonada!!!

Não quero dizer aqui, que os EUA é uma perfeição. Apenas quero dizer que gosto de lá porque apesar de algumas falhas deles, podemos aproveitar o retorno pago nos impostos. Coisa que aqui não acontece. Sem falar que a vida lá é mais barata. Carros baratos - casas com preço bom, escolas públicas para todos. Comida barata e muito mais. Principalmente a tranqüilidade em se viver na sua toada, sem a preocupação de algum demente tirar a sua vida por um tostão.

Alinhar ao centro
há muito com o que se encantar

sábado, 17 de setembro de 2011

Roberto Carlos, o nosso Rei.

Durante muito tempo em minha vida curti Roberto Carlos.
Bom tempo aquele da Joven Guarda.
Algumas vezes fui vê-lo de pertinho e também imaginei como seria Roberto Carlos na intimidade.
Gosto de sua voz. Suas composições são suaves e as letras simples, falam sempre de amor, da mulher... Fácil gostar de Roberto Carlos.

A Globo, ou sei lá quem, mantem uma grande distância do Roberto Carlos e seus súditos a ponto de imaginarmos coisas a respeito dele. Quem é o cara? Como será que vive? Quais são seus costumes, e como será um dia de domingo ao lado dele?

Nunca nos deixaram saber. O ídolo carrega no pacote "fama" a coisa do mistério.

Agora, o nosso Rei Roberto Carlos envelhece. Está mais gordinho, cortou os cabelos, podemos ver sua orelha, sua pele puxada, e percebemos que o tempo passou (também) para o nosso ídolo. Roberto nunca foi bonito, mas charmoso. Não envelhece como um Sean Connery que se mantem bonito. RC está feio, mas... mais próximo de nós.

Na entrevista do Jô, ele começou desconfortável, e logo em seguida estava à vontade, tive a sensação de estar com ele na nossa sala de visita num domingo qualquer. Não acreditei quando ele contava as histórias dele com os insetos e bichos como o sapo numa estrada em Miami, a libélula que levou para Curitiba, a lagartixa que mora em sua varanda, as outras babys que entram em sua casa e que dão trabalho a ele... As formiguinhas "loras" e o lance da porta da Igreja fechada. Amei o elogio que dispensou a Ronie Von. Enfim, foi muito bom ver RC, como um homem e não apenas cantando num cenário distante de nós.

Claro que não é possível termos nossos ídolos no sofá da nossa casa, mas não deveriam eles terem esse medo de chegar mais perto do seu público que afinal, é merecedor de seu reconhecimento, e nada melhor do que essa aproximação. Afinal, depois de um tempinho de entrevista, ouvindo suas histórias, observando seu jeito, curtindo mais uma vez suas músicas, lembrei de um ditado que minha avó sempre dizia que era o seguinte: "Quem ama o feio, bonito lhe parece"