quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Haiti!

Estamos no dia 14 de janeiro de 2010 e já sofremos tanto por gente que nem conhecemos. Mas como ficarmos indiferentes a tanto sofrimento?

Angra dos Reis, e qualquer um de nós poderia estar alí. A ponte que cai no Rio Grande do Sul, e mais dezenas de pessoas desaparecem. As chuvas continuam e como as muitas gotas que caem sobre nós, ela faz aqui e alí, uma vítima ou outra. Não podemos fazer nada contra a natureza que é forte, poderosa e vingativa.

Quando acreditamos em silêncio que a calmaria volta a reinar na vida de todos nós, vem a notícia do terremoto no Haiti. Que judiação. Um país tão pobre, sofrido, desajustado, esquecido, largado e necessitado de ajuda, sofre um devastador terremoto que tira deles o pouco que por lá existe. Em meio a uma situação caótica, crianças dormem ao lado dos cadáveres de seus pais e ninguém pode fazer nada! Há um descontrole total, pânico, tristeza, medo demais e ainda a falta de água, a fome, o trânsito infernal, pessoas perdidas sem a notícia de familiares para se posicionarem e a comunicação é precária.

O mundo se mobiliza e tenta prestar solidariedade para o Haiti. Nunca é tarde, mas agora é muito difícil reorganizar o país. Em meio a tudo isso, temos alguns brasileiros que moravam lá e prestavam serviço para tentar ajudar o país esquecido. Meninos do exército brasileiro morreram. Muitos morreram e morre também a fundadora da Pastoral da Criança Zilda Arns.

Muitas vezes as televisões parecem não ter programação e colocam para a população programas ridículos, apelativos, insuportáveis. Com a notícia de que essa médica estava dentro de uma Igreja e dando uma palestra quando houve o terremoto e por consequência ela morre, os jornais não falam em outra coisa, senão mostrar o trabalho incansável e maravilhoso desta mulher de 75 anos, que mãe de cinco filhos, conseguiu fazer um trabalho impecável e incansável também fora de sua casa. Mobilizando voluntárias em todo o Brasil e mais 21 países. Um milagre!! Nela havia a vontade. O propósito.

Hoje Zilda Arns é exemplo. Sempre foi, mas nem tanto... Muitos brasileiros nunca ouviram falar nessa senhora. E ainda alguns perguntam se Deus existe. Claro que existe, e ela sabia disso. Zilda Arns morre no Haiti, e é notícia no Brasil e no mundo por cuidar de 2 milhões de crianças. O número de mortos é incalculável ainda, mas já sabemos o tamanho da tragédia.

Com tudo isso, o mundo olha para o Haiti e resolve ajudar. Quem sabe era preciso essa tragédia para que olhassemos por eles? Que jamais sejam esquecidos.

Algumas histórias incríveis já chegam na mídia para consolar um pouco o nosso coração.

A TV mostra um soldado da ONU que depois de 40 horas, sai debaixo dos escombros sem nenhum arranhão.

Uma menina de 13 anos com mais da metade do corpo livre e outra presa é salva e diz que não teve medo. Sai do sufoco, falante, animada e viva!

Uma mulher consegue depois de 10 horas ligar para seu marido que estava ha 150 km distante dela. Em menos de 10 segundos, ela consegue dizer a ele onde ela estava e a bateria do seu celular acaba. Ele viaja até a cidade de Porto Príncipe, chega onde ela está, e tira com as próprias mãos por uma hora pedras e escombros que estavam em cima dela e a mulher sai com vida!

Como se vê, mesmo diante da maior tragédia, há casos interessantes e de tamanha beleza e sorte. Daí, sairão no futuro alguns livros e histórias de vida que são exemplo de verdadeiros milagres.

Enquanto isso, missas são rezadas pela alma dos soldados e da Dra Zilda Arns.

E assim tristes, desolados mas agradecendo à Deus por tudo que temos, entramos no ano novo, esperando que melhores dias virão para aqueles que sofrem de verdade!